terça-feira, 7 de abril de 2009

357 anos de Jacareí

Texto de Vanessa Stollar


Nossa cidade é como a casa em que moramos, podemos reclamar dela, perceber defeitos, mas é nela onde moramos e onde nos sentimos a vontade. E quando recebemos convidados, queremos sempre mostrar o melhor da casa e das pessoas que moram nela.  Nesse aniversário de Jacareí tive orgulho de fazer parte dessa casa e de receber ilustres convidados nos eventos que foram preparados para comemorar os 357 anos da cidade. Pela primeira vez em muito tempo grande prazer de ser anfitriã da grande casa onde moro, que é a minha cidade.

A programação de comemoração contou com eventos de grande importância não só local, mas também nacional como o Festival Maria Callas, evento que teve início em São Paulo e dele faz parte o Concurso Brasileiro de Canto. A fase semifinal desse concurso aconteceu na Secretaria Municipal de Educação no dia dois de abril e a final acontece no dia quatro de abril. Dentre os jurados contamos com as ilustres presenças do cantor lírico peruano Luigi Alva, da cantora brasileira Dalva Esper Nader, entre outros.

No parque da cidade acontecem diversos shows. Para abrir o grupo Falamansa se apresentou trazendo centenas de pessoas para prestigiar sua música dançante e alegre.No dia quaro de abril será a vez do grupo Tradição.

A tradicional Manhã Cultural que acontece no Pátio dos Trilhos aos sábados terá a presença da Associação dos Violeiros de Jacareí.

No parque dos eucaliptos acontece o VII Enontro de eíulos Antigos de Jacareí.

E tudo isso é só o começo de uma série de eventos que acontecerá na cidade. A arte povoara a cidade nesse mês em todas as suas áreas, música, teatro, dança e exposições.

Gostaria que Jacareí comemorasse sua riqueza histórica e cultural todos os meses do ano e que a cidade fosse sempre palco da preservação cultural.

Confidência de um Jacareiense


Parafraseando Carlos Drummond de Andrade:
Jacareí é apenas uma comunidade no Orkut, mas como dói.
Digo isso, pois me entristece saber que a memória de minha cidade natal está sendo destruída.
Segundo uma grande amiga, Vanessa Stollar, professora de artes, Jacareí está se tornado uma cidade sem história. Isso porque muitos dos patrimônios históricos da cidade estão dando espaço a novos empreendimentos. Nada contra o progresso, pelo contrário, mas considero que crescer sem respeitar o passado significa perder a identidade da cidade. Não preservar a memória de um povo é matar aqueles que a fizeram.
Símbolos dos ciclos de crescimento estão em ruínas ou foram convertidos para outros fins, sem, ao menos, possuírem uma referência ao que já foram. A arquitetura de uma cidade é a narrativa da história de povos e suas relações com o meio em que habitam. A antiga malharia Santa Helena, por exemplo, tombada pelo patrimônio público, virou um supermercado, lugar de consumo em que nada lembra o que foi um dia.
Em fevereiro de 2004, foram retirados os trilhos da parte urbana da cidade, pela Prefeitura. Hoje, as novas gerações não conseguem associar a antiga estação ferroviária ao atual pátio dos trilhos. Houve uma preocupação em embelezar a antiga estação e não de preservá-la em toda a sua história. Ela não mais serve de testemunho da antiga estação, parte importantíssima da história de Jacareí e de todo Vale do Paraíba. O antigo complexo ferroviário da cidade, onde estão localizadas casas de antigos funcionários da estação Central do Brasil, foram demolidas no ínicio de 2009. A antiga fábrica de fogos Caramuru ficou durante anos abandonada, hoje é um amontoado de ruínas. 
Enfim, fica meu lamento em saber que os órgãos públicos estão negligenciando nossa história e aqueles que a construíram. Desejo que os cidadãos tomem consciência e façam algo para reverter esse triste quadro. Tenho a esperança que isso irá acontecer.
Termino, novamente parafraseando Drummond:
Tive fazenda, tive casarões, tive fábricas
Hoje tenho um shopping.