terça-feira, 7 de abril de 2009

Confidência de um Jacareiense


Parafraseando Carlos Drummond de Andrade:
Jacareí é apenas uma comunidade no Orkut, mas como dói.
Digo isso, pois me entristece saber que a memória de minha cidade natal está sendo destruída.
Segundo uma grande amiga, Vanessa Stollar, professora de artes, Jacareí está se tornado uma cidade sem história. Isso porque muitos dos patrimônios históricos da cidade estão dando espaço a novos empreendimentos. Nada contra o progresso, pelo contrário, mas considero que crescer sem respeitar o passado significa perder a identidade da cidade. Não preservar a memória de um povo é matar aqueles que a fizeram.
Símbolos dos ciclos de crescimento estão em ruínas ou foram convertidos para outros fins, sem, ao menos, possuírem uma referência ao que já foram. A arquitetura de uma cidade é a narrativa da história de povos e suas relações com o meio em que habitam. A antiga malharia Santa Helena, por exemplo, tombada pelo patrimônio público, virou um supermercado, lugar de consumo em que nada lembra o que foi um dia.
Em fevereiro de 2004, foram retirados os trilhos da parte urbana da cidade, pela Prefeitura. Hoje, as novas gerações não conseguem associar a antiga estação ferroviária ao atual pátio dos trilhos. Houve uma preocupação em embelezar a antiga estação e não de preservá-la em toda a sua história. Ela não mais serve de testemunho da antiga estação, parte importantíssima da história de Jacareí e de todo Vale do Paraíba. O antigo complexo ferroviário da cidade, onde estão localizadas casas de antigos funcionários da estação Central do Brasil, foram demolidas no ínicio de 2009. A antiga fábrica de fogos Caramuru ficou durante anos abandonada, hoje é um amontoado de ruínas. 
Enfim, fica meu lamento em saber que os órgãos públicos estão negligenciando nossa história e aqueles que a construíram. Desejo que os cidadãos tomem consciência e façam algo para reverter esse triste quadro. Tenho a esperança que isso irá acontecer.
Termino, novamente parafraseando Drummond:
Tive fazenda, tive casarões, tive fábricas
Hoje tenho um shopping.


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